Viagem de carro descomplicada

Provavelmente existem dois tipos de pessoas no mundo: As que amam viajar de carro – onde me encaixo – e as que odeiam, cada uma delas com suas mais diversas razões. Se você é do primeiro tipo, esse post é um prato cheio e espero que torne suas experiências na estrada ainda mais prazerosas. Agora, se você é do segundo tipo, não se preocupe, meu objetivo é mostrar como tornar esse tipo de viagem o menos torturante possível para você.

De antemão posso falar pra vocês que será um post com bastante informação, então para facilitar o entendimento e detalhar bastante cada assunto, resolvi dividir uma viagem de carro em duas etapas que serão explanadas em dois posts diferentes:

  • Etapa de planejamento: como o nome sugere, é o momento em que você planeja a viagem, pesquisando destinos, estudando rotas, definindo horários e etc.
  • Etapa da Viagem: Essa etapa é a viagem de carro propriamente dita, ou seja, é o momento em que você já está na estrada, seguindo seu planejamento e se portando corretamente.

Mas antes de começar a detalhar cada uma dessas etapas, deixo claro que tudo que é dito neste post veio através de minhas próprias experiências e conhecimentos adquiridos ao longo dos anos. Não sou nenhum motorista ou piloto profissional – muito longe disso, por sinal -, mas por já ter feito várias viagens de carro, acredito que posso contribuir para tornar as suas ainda melhores!

Inclusive, estou fazendo esse post justamente no meio de mais uma viagem com minha família pelas estradas do Brasil, estamos indo de Belém-PA até Jericoacoara-CE, seguindo depois para Fortaleza-CE e voltando para Belém-PA (ida e volta somam aproximadamente 3000km). Além disso, daqui a alguns dias pegarei a estrada novamente na República Dominicana entre as cidades de Punta Cana, Santo Domingo e Puerto Plata. Então garanto a vocês que todo e qualquer ponto citado nesse post é aplicado na prática.

Conscientização

Devido à importância desse tópico, estarei colocando ele tanto neste, como no post da próxima etapa. Antes mesmo de você COGITAR uma viagem de carro, seja ela de 1 hora ou de 1 dia, você precisa preparar sua mente pra isso. Então vamos começar…

Viajar de carro é perigoso

Em 2018, houve 69 mil acidentes em rodovias federais no Brasil sendo, aproximadamente 54 mil com vítimas (mortos ou feridos). Segundo o levantamento, pelo menos 14 pessoas morreram por dia nas rodovias federais em 2018. Em média, ocorreram 82 acidentes com vítimas a cada 100 quilômetros de rodovia em 2018. 

Não importa o que lhe digam, viajar de carro é, e sempre vai ser perigoso enquanto depender do fator humano. Não há como fugir, o ser humano é imperfeito, está sujeito ao erro e isso faz parte da nossa natureza, não somos máquinas que podem executar perfeitamente milhares de vezes a mesma ação, até pessoas extremamente treinadas para realizar uma tarefa tem uma significativa probabilidade de errar. Então, o maior perigo na estrada é o erro humano.

No entanto, quando não há uma maneira de eliminar definitivamente uma certa ocorrência, nós buscamos uma forma de minimizar o máximo possível a sua probabilidade de acontecer. E é exatamente dessa forma que deve se agir contra o erro humano, evitar se expor à ele e procurar contextos que o isolem. Isso diminui em centenas de vezes os riscos na estrada.

Um caminhão tanque cheio de combustível perdeu o controle e saiu da estrada poucos minutos antes de nós
[CENAS FORTES] Encostamos e ligamos para a emergência, mas o fogo ja havia tomado conta

Viajar de carro é difícil

Dirigir na estrada exige muito de uma pessoa, exige habilidades que muitas vezes não estamos acostumados à praticar no dia a dia.

Habilidades como a de desviar do seu guia para Jericoacoara quando ele se desequilibrar da moto na sua frente

Você precisa estar totalmente focado no que está fazendo, ter cautela para calcular o seu próximo passo, e raciocinar sempre dois passos à frente de qualquer situação. Para segurar o volante e executar tudo isso você precisa estar confiante e, principalmente, calmo.

Viajar de carro pode ser difícil, mas está longe de ser impossível. O motorista deve ser honesto consigo mesmo e saber o limite de suas habilidades, elas vão melhorando à medida que se ganha experiência.

Você não está sozinho

Meio sinistro, mas é verdade. Você nunca está sozinho na estrada. Ter isso em mente lhe mostra que qualquer ação sua pode – e vai – resultar em uma reação por parte de outra pessoa. Assim como você precisa estar preparado para reagir à ação de outra pessoa que vai estar na estrada também. Na estrada você realmente tem que dirigir por você e pelos outros (você já deve ter escutado isso dos seus pais), portanto nunca baixe a guarde.

Etapa de planejamento

Planejar uma viagem vai muito além de simplesmente escolher os destinos e definir as datas. Essa é a etapa em que você coleta o máximo de informações possíveis sobre onde, quando e como deseja visitar os destinos definidos.

De modo geral, esse tópico pode ser aplicado para qualquer tipo de viagem, então se você acabou acessando esse post por engano – espero que não -, ele ainda pode ser útil pra você.

Beleza, então vamos lá, por onde eu recomendo começar o planejamento de uma viagem?

Pesquisar sobre o clima

O clima é um fator determinante para sua viagem. Ele afeta desde o que você coloca dentro da sua mala, até a forma como você dirige numa estrada. O clima pode adiar ou cancelar suas viagens, mas se você analisá-lo com bastante critério, ele pode tornar sua viagem uma experiência incrível!

No Brasil, basicamente a nossa maior preocupação climática é a chuva e a combinação dela com nossas estradas, definitivamente, não é uma das coisas mais bonitas do mundo. A água compromete bastante a visibilidade e, dependendo da intensidade da chuva, pode impossibilitar o tráfego. Mas talvez o maior risco seja devido ao fato de que boa parte de nossas rodovias tem problema de drenagem, formando poças d’água ao longo da estrada. Com o carro em alta velocidade, essas poças podem ocasionar acidentes graves através do fenômeno da aquaplanagem, que é quando o pneu perde o contato com o asfalto levando ao descontrole da direção.

Então, analisar o clima e escolher o melhor período para pegar a estrada pode eliminar todos esses empecilhos mencionados acima. Para algumas regiões os períodos de sol e chuva são bem definidos (Nordeste e Sudeste, por exemplo), o que facilita a definição das datas, mas existem regiões em que é bem difícil definir isso (Região Norte, principalmente). Para essas últimas, tente procurar o histórico de anos anteriores e filtre as datas com menor probabilidade de chuva. Como disse anteriormente, às vezes não é possível eliminar um risco, mas podemos sempre minimizá-lo até uma margem segura.

O porquê de evitar a chuva na estrada…

Para fora do Brasil o raciocínio para análise do clima é o mesmo, mas em alguns países existem outras preocupações além da chuva, como neve, granizo, terremotos e furacões.

Lembre-se que a análise deve ser feita para cada região/Estado em que você estiver trafegando, pois o clima pode variar significativamente.

Pesquisar sobre o caminho

Se você realmente está disposto a fazer uma viagem de carro segura e prazerosa, traçar uma rota até o seu destino se torna uma tarefa muito mais complexa do que simplesmente medir a distância e o tempo de chegada. Nem sempre o caminho mais curto é o mais rápido, e sequer é o mais seguro…

Digo isso porque a condição da estrada é uma variável fundamental para quem planeja uma viagem de carro, principalmente pelo Brasil, onde sofremos com as condições deploráveis -de boa parte – de nossa malha rodoviária.

Eu lembro, alguns anos atrás, que era possível fazer o trecho Belém – Fortaleza em 24 horas, mas hoje isso praticamente se tornou impossível. Obviamente a distância não aumentou, mas as condições da estrada ficaram terríveis à ponto de precisar reduzir a velocidade à menos de 20 km/h para passar por buracos na via.

Trecho da BR-316 ao som do cd de malhação internacional.

Esse é um caso extremo, de fato, mas imagine a dificuldade de medir o tamanho ou a profundidade de um buraco na via à velocidade de, no mínimo, 80 km/h…

Esses tipos de situação, além de atrasarem sua viagem, aumentam os riscos de acidentes, por isso é sempre bom analisar as rotas existentes antes de optar pela mais curta, falar com pessoas que já tiveram a experiência ou mesmo procurar em sites e blogs (como o Embarquei…) por relatos e opiniões. Tudo que puder lhe antecipar o que você verá na estrada já é muito útil.

Mas lembre-se, as condições de estradas podem variar em curtos períodos de tempo, nunca baixe a guarda! Mantenha o foco na estrada e não arrisque sem ter certeza do que está fazendo e das condições em que está se envolvendo.

Fique atento para estradas com pedágio, se organize para levar dinheiro em espécie, alguns pedágios não aceitam cartão e é bem difícil encontrar um caixa 24 horas na estrada.

Outro ponto importante para levar em consideração durante a análise das rotas é: evite caminhos que passam por cidades pequenas e vilarejos (a não ser que você queira ou precise de algo nesses lugares durante a viagem). Normalmente, trechos urbanos são cheios de lombadas, fiscalizações eletrônicas e fluxo de carros pelas transversais, o que resulta em mais atrasos.

Bom, tendo detalhado um pouco sobre a segurança e alguns raciocínios sobre as rotas, é fundamental ressaltar que muitas vezes o seu caminho pode conter alguns tesouros – não tão – escondidos. Antes de começarmos essa viagem em que estou, meu pai foi à uma loja trocar os pneus do carro e começou a conversar com um funcionário sobre o caminho que íamos fazer até Jericoacoara – CE. Foi assim, através de uma breve conversa com um funcionário – que meu pai não conhecia – de uma loja de pneus – que quase nunca frequentamos -, que descobrimos a Cachaçaria Mapirunga em Viçosa – CE, uma cachaçaria que oferece um tour pelas etapas de produção da cachaça, com direito à degustação e venda de garrafas no final (trouxemos algumas…). Falarei mais dela em posts futuros, mas foi uma experiência que agregou demais à nossa viagem e estava bem ali, há poucos quilômetros da nossa rota.

Um verdadeiro tesouro no meio da estrada
Eu e meu pai na degustação (pelo semblante dá pra perceber quem era o motorista e quem era o copiloto)

Definir horários

Durante uma viagem de carro é praticamente impossível, principalmente no Brasil, prever e definir o horário de chegada no seu destino. É possível estimar a hora através de experiências anteriores, históricos e relatos de terceiros, mas isso nunca é uma certeza.

Então que horários eu posso definir? Os de partida e os de parada, se necessário.

Mantendo-se fiel aos horários de partida, mais chances você terá de cumprir sua estimativa de chegada ao destino. Isso porque a dinâmica das estradas varia bastante com as horas do dia, assim como nas cidades. Por exemplo, se você pretende levar no máximo 1 hora para chegar à um local na cidade, é muito mais provável que você conseguirá cumprir sua estimativa saindo 6 da manhã de casa do que saindo 7 ou 8. Isso se deve ao fato de que quanto mais próximo ao início do horário comercial, maior o número de rotinas que se iniciam, ou seja, mais pessoas estarão na rua, aumentando o trânsito. O mesmo acontece na estrada, então além de manter-se fiel aos horários definidos, tente defini-los o mais cedo possível ou o mais distante possível dos horários comerciais.

Agora, sobre os horários de parada, posso dizer que eles são bem relativos. Geralmente, eu recomendo que as paradas sejam feitas para viagens um pouco mais distantes (acima de 6 horas de duração), mas isso vai da necessidade de cada um. Elas são estratégicas e servem para você recompor as energias antes de retomar a estrada, portanto elas podem ser pausas para lanches, almoços, cochilos e/ou para passar a noite em algum lugar. Claro que existem exceções para situações de emergência ou necessidade, mas procure sempre reduzir o número de paradas, isso aumentará as chances de cumprir a estimativa feita.

Pequena pausa para reabastecer o carro e as energias

Se você não conhece a estrada, evite percorrê-la à noite. Eu, particularmente, não gosto de dirigir à noite mesmo conhecendo a estrada, porque além da visibilidade ficar muito comprometida, outros fatores entram em cena, sendo o principal deles: o sono. O sono é um dos maiores inimigos de quem dirige e é extremamente difícil lutar contra ele, basta uma “pescada” (como chamamos na minha cidade aquele cochilo relâmpago de alguns segundo que você normalmente acorda assustado sem saber que pegou no sono) pra causar um acidente grave. Como 95% da população mundial tem o corpo regulado para dormir à noite, obviamente estaremos mais suscetíveis à sentir sono dirigindo nesse período (a não ser que você faça parte dos outros 5%). Portanto, eu sempre recomendo que todo e qualquer horário – de partida ou de parada – seja definido de forma que se evite à todo custo percorrer a estrada à noite ou que pelo menos reduza o tempo dirigindo, caso seja inevitável.

Plano B

Algo aconteceu na estrada e você teve um atraso grande que lhe impediu de chegar onde queria no tempo estimado. Nesse caso é bom conhecer lugares próximos da sua rota onde é possível se hospedar para evitar exposição à riscos como dirigir cansado, com sono ou com pressa.

Além deste cenário mostrado anteriormente, existem inúmero outros em que podemos exaltar a importância de um plano B, é recomendado ter um plano alternativo para praticamente tudo que você define ou estima durante o planejamento da sua viagem porque imprevistos podem acontecer.

Manutenção do veículo

Esse é o tópico que provavelmente vai lhe trazer mais paz na consciência. Ter confiança em si mesmo para pegar a estrada é fundamental, mas se você não sentir essa mesma confiança no volante que está segurando, com certeza sua viagem será um inferno.

A prioridade sempre será a manutenção periódica, então é por ela que você deve começar. Leve seu carro na concessionária ou em uma oficina de confiança e solicite a realização do serviço de acordo com o manual. Garantido que seu veículo está com a manutenção em dia podemos prosseguir para outros pontos que merecem atenção.

O conjunto de pneu e suspensão do veículo talvez seja o que mais trabalha durante uma viagem, sendo assim é digno de um cuidado especial. Jamais pegue a estrada com: pneus “carecas” (sem as ranhuras do pneu), pneus com bolhas ou rasgos, amortecedores estourados e/ou desbalanceados, e rodas desalinhadas. Evite dirigir na estrada com pneus remendados ou recapados (ranhuras substituídas), é difícil saber até que ponto esse tipo de reparo é confiável para as condições da estrada (alta velocidade, ondulações, calor intenso e etc).

Todos os fluídos do seu veículo são de extrema importância para o funcionamento geral, então fique sempre de olho nos níveis e na validade de cada um deles. Normalmente isso é verificado na manutenção periódica que mencionei acima, mas até em postos de gasolina verificam e completam, se você solicitar.

Viajar de vidro aberto pode parecer ótimo nos filmes e nos clipes de músicas, mas além de aumentar o consumo de combustível – criando resistência ao deslocamento do veículo -, o vento a partir de uma certa velocidade incomoda demais os ocupantes e ainda fica suscetível à entrada de insetos, poeira e objetos da estrada. Portanto, cuide muito bem do sistema de refrigeração do seu carro.

Ao meu ver, esses são os pontos que merecem atenção redobrada, no entanto, como não sou engenheiro mecânico, é bem provável que eu tenha deixado algo passar, sendo assim recomendo que você sempre procure a concessionária ou uma oficina de confiança para trocar uma ideia e realizar toda a preparação do seu veículo para a viagem.

Escolher o veículo

Se você precisa alugar um veículo para fazer a viagem seja dentro do Brasil ou para fora, recomendo fazer sua escolha baseada em três parâmetros: Duração da viagem, Economia e Espaço.

Vou lhe explicar a relação entre esses três parâmetros com um exemplo simples: Você está planejando uma viagem de 12 horas com 5 pessoas, cada uma delas levando uma mala grande. Você escolheria um gol para fazer essa viagem? Absolutamente nada contra o gol, mas convenhamos que nessas circunstâncias se torna inviável escolher ele. Considerando que – por algum milagre da logística – conseguiram colocar as 5 malas no carro, ele ficaria tão pesado e tão apertado para as pessoas dentro do carro que, além de consumir muito mais combustível, se tornaria um inferno para todos.

Economizar nesse tipo de situação pode acabar saindo caro, portanto seja calculista e honesto consigo mesmo, analise os 3 parâmetros e escolha o melhor veículo para sua viagem.

Verificar a documentação

No meio da estrada você é abordado pela polícia para uma checagem de documentos, entrega os documentos solicitados ao policial e, no mesmo instante, percebe que sua carteira venceu há alguns meses. Infelizmente é tarde demais…

Agora imagine isso acontecendo em outro país em que você não domina tão bem – ou quase nada – o idioma. Desesperador, no mínimo…

Definitivamente esses dois cenários não são as tão sonhadas férias que você planejou com tanto carinho e dedicação, então faça um favor para si mesmo e SEMPRE verifique se toda sua documentação está em dia.

No Brasil, é obrigatório trafegar tanto com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) quanto com o documento do veículo, ambos válidos. Caso contrário você pode ter seu veículo removido, pontos adicionados à carteira, diárias do veículo e taxa de retirada do pátio, além de uma multa pela infração gravíssima.

Em outros países a legislação pode variar, então é sempre bom pesquisar sobre isso antes de pegar a estrada no exterior. Alguns países exigem a PID (Permissão Internacional para Dirigir), que nada mais é do que uma tradução da sua CNH para diversas línguas, seguindo, inclusive, a mesma data de validade que a CNH (se esta vencer, será necessário renovar a PID também). Apesar de não ser exigida por todos os países, acho muito interessante ter esse documento em mãos, com certeza irá lhe poupar da burocracia e dor de cabeça caso algo aconteça.

Prazer, PID

Estudo da legislação e sinalização de trânsito

Para quem não sabe, pôquer é considerado um esporte (não, não é um jogo de azar) e para vencer uma partida é necessário – a grosso modo – paciência, atenção, raciocínio e, fundamentalmente, conhecer as combinações válidas de cartas. Você pode ter todos os requisitos anteriores, mas se não conhecer MUITO BEM as combinações de cartas, você estará dependendo de sorte para se dar bem, não mais de habilidade, e tudo que depende de sorte é sempre muito arriscado.

Isso é basicamente o que ocorre quando você pega a estrada sem conhecer a legislação e as sinalizações de trânsito. Você dependerá de sorte para seguir seu caminho e a estrada não é lugar para arriscar, lembre-se que nosso objetivo é sempre minimizar a exposição à riscos.

É normal esquecer dessas coisas porque não vemos com muita frequência no dia a dia – a não ser que você pegue estrada todos os dias -, mas não se preocupe, uma rápida pesquisa no Google e você terá todas essas informações disponíveis.

GPS e Aplicativos de localização

Se tem algo que precisamos confiar veemente durante uma viagem de carro – além do motorista, claro – , é o GPS. Hoje é praticamente impensável viajar sem um GPS ou aplicativo de localização, ainda mais com o avanço da tecnologia que aumentou incrivelmente a precisão dessas ferramentas. Mas como tenho dito e repetido várias vezes ao longo do post, quando se trata de dirigir em estrada tudo é uma questão de redução de riscos, sendo assim que riscos existem na utilização de GPS e como eliminá-los?

O primeiro deles são as falhas de conexão de internet, em boa parte das rodovias a conexão de internet é instável ou praticamente inexistente, portanto durante o planejamento da sua viagem pesquise e simule as rotas que você deseja fazer, isso fará com que o GPS e os aplicativos armazenem a rota na memória do dispositivo, dispensando a conexão de internet.

A bateria do dispositivo com GPS ou com aplicativos é outra coisa que necessita de bastante atenção. Se o seu carro não possui entradas de carregador, evite usar o dispositivo para outras coisas, mantenha-o exclusivamente para o uso do GPS ou do aplicativo e, se possível, adquira um carregador portátil ou um adaptador para plugar no acendedor de cigarro do carro, esses acessórios podem lhe poupar de muitas dores de cabeça.

Sempre tire printscreens ou fotos dos trechos mais complicados da estrada (trevos, rotatórios, desvios e etc), pois em alguns trechos da estrada (principalmente as que passam por tuneis ou serras) a localização GPS pode ficar confusa e se perder temporariamente. Nesse caso as fotos e prints podem lhe ajudar a se guiar enquanto o GPS estabiliza.

Mantenha sempre os seus dispositivos GPS ou aplicativos atualizados, isso evita muitos problemas, principalmente em trechos urbanos em que algumas ruas podem mudar de sentido ou serem interditadas.

Nunca dependa somente de um único dispositivo ou ferramenta, em algumas regiões é possível que o dispositivo GPS funcione melhor que aplicativos e vice-versa, por isso é sempre importante manter o máximo de ferramentas possível ao seu alcance.

Sem o GPS, achar esse caminho seria bem complicado…

E para o último dos casos, um mapa físico é sempre bem-vindo…

Encontrar uma boa companhia

Uma boa companhia para viajar de carro é sempre uma ideia válida, ter um bom copiloto ao seu lado lhe passa confiança, tranquilidade, possivelmente irá lhe entreter durante a viagem e, se necessário, pode até revezar a direção com você.

Certo, mas como saber se estou escolhendo bem a minha companhia? O perfil é bem simples, não é difícil de encontrar e nem todos os requisitos são obrigatórios. Basicamente o que define um bom copiloto é: ter um certo nível de experiência na estrada (do seu mesmo nível ou superior), não dormir a viagem inteira e ser comunicativo (mas não tagarela). Convenhamos que é um perfil bem genérico e, sem muito esforço, qualquer um pode se encaixar nele.

Obviamente que esse tópico não é um passo obrigatório para sua viagem de carro, você pode ter interesse de fazê-la por conta própria e não há nenhum problema nisso. Encare isso como uma sugestão que pode agregar à sua aventura.

Criar uma boa playlist

Se você prefere viajar escutando o vento bater no vidro do carro e o ronco do motor como trilha sonora para o seus próprios pensamentos, tudo bem, pode pular esse tópico, eu deixo…

Agora, se você não se encaixa nesse perfil, uma boa playlist sem dúvidas pode transformar sua viagem e torná-la mais segura. Eu, particularmente, adoro viajar escutando uma boa música, dá um gosto a mais na viagem e me deixa mais disposto a seguir no volante. É praticamente impossível escutar uma das suas músicas preferidas e não cantar – nem que seja sussurrando -, esse fenômeno universal é suficiente para espantar o sono e o cansaço, o que já é de grande ajuda.

Se você não estiver viajando sozinho, para evitar brigas/reclamações de ambas as partes sobre o repertório, tente fazer uma playlist que agrade gregos e troianos, ou crie várias playlists para variar ao longo do caminho. Lembre-se que usar fones de ouvido durante a viagem não é uma solução para escutar suas músicas em paz, primeiro porque, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, isso é considerado uma infração (se a viagem for em outros países é bom confirmar essa informação para a legislação local), e segundo porque fones isolam você dos sons da estrada (buzinas, sons de outros carros e etc) e do seu próprio carro (problemas mecânicos e etc), sendo assim, não aconselho o uso de fones de forma alguma.

Se você utiliza aplicativos de streaming de música (spotify, deezer, apple music e etc), lembre-se de sincronizar as suas playlists para a memória do celular, isso evitará que a música seja interrompida caso perca a conexão de internet ao longo da estrada (o que é muito comum ocorrer).

Arrumar as malas

Viajar de carro sem dúvidas dá uma certa liberdade com relação à bagagem já que o limite é justamente a capacidade máxima que o carro comporta. Mas é importante lembrar que quanto maior o peso do carro, maior o consumo de combustível, ou seja, excesso de bagagem pode encarecer sua viagem. Além do preço aumentar, o tempo de viagem também pode aumentar, já que o esforço do veículo vai ser muito maior para se locomover.

Depois de muito tempo batendo cabeça com bagagens, eu e minha família chegamos à conclusão que vale muito mais à pena dividir uma mala grande em duas malas de pequeno porte. Nosso raciocínio não foi baseado em nenhuma experimento científico, apenas observações, portanto se isso não fizer sentido nenhum pra você, tudo bem. Basicamente a ideia é que uma mala grande ocupa um volume maior e é difícil encaixá-la no porta-mala da maioria dos carros (com exceção de picapes e SUV grandes), já as pequenas podem se encaixar de vários jeitos diferentes. Como disse, nossa conclusão foi baseada em observações e tentativas, então se você acha que estou falando besteira, não tem problema algum!

Quando estiver arrumando as bagagens no carro, evite colocá-las em cima do tampão da mala, além de atrapalhar a visão do motorista isso é muito perigoso e pode causar acidentes em casos de frenagem brusca. Esse conselho vai um pouco além da etapa de planejamento mas é sempre bom reforçar.

Agora que todos já sabem como planejar uma viagem de carro com consciência, segurança e atenção, posso dormir mais tranquilo! Tentei detalhar e passar o máximo de conhecimento possível para você, espero que seja o suficiente para tornar a próxima viagem de carro de vocês mais tranquila e inesquecível.

Se gostou, convido você à curtir o post e deixar um comentário, procuro sempre respondê-los!

Se você acha que esqueci de algo, comente! Ficarei muito agradecido.

Até o próximo post!

Um comentário em “Viagem de carro descomplicada

  1. Ana Flávia Bastos Arraes 4 de janeiro de 2020 — 20:48

    Posta mais nesse estiloo, super útil!!

    Curtir

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